Convidei o artista Sidnei de Oliveira para se apresentar nesse artigo e falar sobre como surgiu a ideia de transformar filtros de café usados em obras de arte. Confira!

Arte com filtros de café: Por que eu não pensei nisso antes?

“Desde o começo das sociedades, o café transpôs barreiras. Criou e derrubou tabus, foi considerado sagrado em algumas religiões, que o tinham como místico e até medicinal, e esteve presente do início ao fim de vários períodos na História da humanidade. Hoje chega a nossa mesa de maneira despretensiosa, e ao mesmo tempo, indispensável, e poucos se atentam a sua trajetória. Há quem acredite que a vida do café começa nas fazendas cafeeiras e termina na xícara. Eu mesmo passei anos acreditando que fosse assim, hoje não mais.

Mas por que eu não pensei nisso antes? Essa é a pergunta que você provavelmente vai se fazer. Calma! Vamos descobrir isso juntos.

Foi num sábado de manhã qualquer que surgiu minha conexão com o café, o filtro de papel e a arte. Naquele sábado, o filtro de café que minha mãe usou certamente seria descartado, como foi a vida inteira… 

Não sei dizer por qual motivo, talvez esquecimento, mas naquele dia o filtro usado ficou na mesa, e entre uma conversa e outra, instintivamente, peguei aquele filtro, tirei o excesso da borra, e enquanto conversava, fiz dobras.

O café acabou, a conversa acabou, e cada um prosseguiu seu dia. Eu também assim o faria se a minha situação não fosse, digamos que “especial”. Sou cadeirante. Há alguns anos, uma fatalidade me deixou numa cadeira de rodas. Por conta disso, meus dias passaram a ser iguais durante um bom tempo. A rotina dos cafés em família continuou, e depois de alguns dias, eu tinha vários quadradinhos feitos dos filtros, que conectados lado a lado formaram meu primeiro quadro, que deixo na minha parede da sala até hoje. Confesso que não é o mais bonito, mas é o meu preferido.

Bild mit Kaffeefilter
Sidnei de Oliveira

Em certo momento, já não eram suficientes só os filtros de casa, e com uma mobilização entre amigos e familiares, a matéria prima para criar minhas obras começou a surgir aos milhares. E a produção só aumentou.

Cada um tem seu jeito de coar seu café: mais forte ou mais fraco, com açúcar ou sem, sofisticado ou simples; e por esse motivo cada filtro chega diferente, com desenhos que só serão revelados na última etapa no processo de criação.

Depois de retirados os resquícios de pó, os filtros passam por uma seleção, na qual os melhores e mais manchados são separados e passarão a ser o rosto de cada tela, serão os que ficam em primeiro plano. Aqueles mais danificados servem como preenchimento na espessura do relevo. Nenhum filtro é descartado.

Foi curioso e gratificante perceber que naturalmente todas as pessoas que estavam envolvidas na ação de juntar os filtros usados estavam fazendo parte de um grupo de reciclagem e sustentabilidade, sem precisar promover grandes eventos ou investir alto em publicidade. Tomar um café pela manhã passou a ter mais outro propósito tão nobre quanto o de sentir o prazer que o café proporciona.

Tenho agora o lixo que se transformou em ARTE, em cultura, em produto que gerou emprego e renda, e que consegue movimentar uma cadeia de colaboradores direta e indiretamente. Diante de todo esse movimento, pude perceber que a odisseia do café ganha um novo capítulo, que vai além da xícara.

Movimentos ecológicos têm nos despertado à consciência de reciclagem cada vez mais palpável no nosso dia a dia. Percebo que as obras estarem ganhando espaço no universo do café brasileiro são a evidência da preocupação com o descarte consciente das embalagens dos filtros de café. Pretencioso ou não, seu café continuará indispensável, mas não precisa terminar exatamente quando a xícara se esvaziar.

Minhas telas têm ganhado um espaço cada vez maior, e as paredes da sala ficaram pequenas por tantos quadros. E é legal compartilhar com outras pessoas aquilo que me serviu como um resgate diante de uma situação que poderia me levar uma depressão.

Apesar da pandemia do COVID 19, e em adaptação a todas as medidas de segurança necessárias, consegui fazer minha primeira exposição em São Paulo, com o apoio e parceria do @cafemercadodavila_oficial.

Agradeço aos parceiros que acreditaram e abriram espaço para eu estar aqui dividindo tudo isso com vocês. Ao colégio Lumbini, Suzano – SP, que me cedeu um stand na Feira de Ciências. Ao Otávio da O’coffeebr BRASIL, por expor minhas obras na fazenda em Pedregulho. E agradecer individualmente a cada familiar, amigo e vizinho. Vocês são incríveis!

Mas por que eu não pensei nisso antes? Nem eu sei dizer. Só digo que é possível transformar lixo em verdadeiras obras de arte. Dobrando um filtro de papel,  eu descobri minhas técnicas. Você também pode descobrir as suas.

#comeceadobrar

Todas as obras aqui anexadas foram feitas exclusivamente com filtro de papel e cola branca e fazem parte do meu acervo, atualmente exposto no @cafemercadodavila_oficial. Algumas peças estão à venda na Rua Inácio Pereira da Rocha, 264, Vila Madalena, São Paulo – SP, ou diretamente pelo meu direct no Instagram (@robiney31).”

Sidnei Robinson de Oliveira

São Paulo – Brasil.

Quer saber mais sobre a arte de Sidnei? Dê uma olhadinha no Blog do Ensei Neto e leia o artigo “Um café para dividir“. Ou assista o video sobre seu trabalho e sua vida, feito pelo canal Globo.com.

Veja este artigo da revista Revista Espresso sobre a arte de Sidnei! Aliás, você também pode seguir a Revista Espresso no Instagram e ficar a par das novidades no mundo do café!

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